LAMA AVANÇA PELO LITORAL DO ESPÍRITO SANTO: “É UMA CALAMIDADE”, DIZ COORDENADOR DO TAMAR

27 Nov 2015

 

A onda de lama da mineradora Samarco chegou com tudo ao oceano no dia 22 de novembro, formando uma enorme mancha marrom que, na quinta-feira, 26/11, já avançava além de 30 quilômetros sobre o mar desde a foz do rio Doce, em Linhares, no norte do Espírito Santo. Uma pluma inicial de água barrenta já havia atingido a costa no fim da tarde de sábado, mas o que se formou no domingo foi uma mancha muito mais escura e densa, com aparência de leite achocolatado.

 

A área afetada faz parte da Reserva Biológica de Comboios, uma unidade de conservação costeira que protege um dos únicos dois pontos regulares de desova de tartaruga-de-couro na costa brasileira — uma espécie criticamente ameaçada de extinção —, além de muitos ninhos de tartaruga-cabeçuda, também ameaçada de extinção. O coordenador nacional do Centro Tamar-ICMBio, o oceanógrafo João Carlos Thomé tem sobrevoado a mancha desde o dia 22/11 e sempre volta para terra visivelmente abalado. "Nem sei o que falar. É terrível; uma calamidade. Parece uma gelatina marrom se esparramando mar adentro."

 

Leia a reportagem do jornal "O Estado de S.Paulo", publicada na segunda-feira, dia 23/11 (CLIQUE AQUI)

 

Entre os rejeitos da lama despejada após o rompimento de duas barragens que devastaram o distrito de Bento Rodrigues, em Mariana (MG), estão altos índices de ferro e mercúrio em alta concentração, além de esgoto. O risco é de uma "esterilização" sem precedentes em toda a Bacia Hidrográfica do Rio Doce, e também na zona costeira. Além da Reserva Biológica de Comboio, estão pelo caminho outras duas unidades de conservação ambiental: Costa das Algas e Santa Cruz. Juntas, as três unidades de conservação somam 200 mil hectares no mar.

 

Na quarta-feira, 25/11, a lama avançou mais em direção ao norte do Espírito Santo e está a 30 quilômetros da foz do Rio Doce. Na areia da praia de Povoação, que fica ao lado de Regência, tem peixe morto e os pescadores de braços cruzados.

 

Para ajudar a diminuir os danos provocados pela lama no mar, a Marinha enviou um reforço: o navio de pesquisa Vital de Oliveira. "O navio foi desviado para o Espírito Santo para ajudar a resolver esse problema no Rio Doce", disse o comandante Aloisio Maciel de Oliveira Júnior, ao Jornal Hoje, da Rede Globo. Veja a reportagem completa AQUI.

 

A Mineradora Samarco, "joint-venture" entre as empresas e acionistas Vale e BHP Billiton, tentou em vão conter o avanço da lama nos manguezais e restingas. Até o momento, a empresa foi multada em R$ 250 milhões e fez um acordo com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e o Ministério Público Federal em Minas Gerais (MPF-MG) para pagamento de reparação pelos danos ambientais. O Termo de Compromisso Preliminar determina o pagamento de uma caução socioambiental de R$ 1 bilhão, valor bem abaixo dos R$ 14 bilhões previstos de prejuízos com danos ambientais.

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